17 de novembro de 2009

Conheça os maiores apagões da história pelo mundo

'Blecautes não podem ser evitados em nenhum lugar', diz pesquisador.
Indonésia teve o pior, mas EUA, Canadá e Europa também sofreram.


Ficar horas sem energia elétrica em pleno século XXI por conta de um blecaute não é um “privilégio” do Brasil. Frequentes em países mais pobres, apagões atingiram recentemente milhões de pessoas nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa. O maior dos blecautes recentes, entretanto, aconteceu em 2005, na Indonésia, quando 100 milhões de pessoas ficaram até 12 horas sem energia.

Operador de trem elétrico espera pela volta da eletricidade em Jacarta, em 18 de agosto de 2005, depois do apagão que atingiu a Indonésia. (Foto: AFP)
“Blecautes não podem ser totalmente evitados em nenhum lugar do mundo”, explicou, em entrevista ao G1, o pesquisador norte-americano David Nye, que estudou os apagões registrados nos Estados Unidos desde 1935 em uma pesquisa a ser lançada no próximo ano no livro "When the lights went out" (Quando as luzes se apagaram, em tradução livre). Autor de uma dezena de livros sobre tecnologia e energia elétrica, ele diz que a Escandinávia e o Japão são mais eficientes em evitar este tipo de problema. "Um blecaute de até duas horas deveria ser esperado periodicamente. Não importa o quão bem o sistema de transmissão seja desenhado e construído, ele é apenas uma máquina num mundo de falhas técnicas, acidentes e erros humanos ocasionais.”


EUA e Canadá
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1965 - 44 anos antes do apagão que atingiu cerca de 50 milhões de brasileiros, na noite desta terça-feira (10), a população do nordeste dos Estados Unidos e de parte do Canadá vivia um dos blecautes que mais marcaram a história do país. Calcula-se de 30 milhões de pessoas tenham ficado sem energia especialmente em Nova York e em Toronto, em uma época em que o uso da eletricidade crescia rapidamente na região.

O blecaute ocorreu numa hora de pico no consumo de energia em 9 de novembro, próximo da 17h30, e chegou de repente, deixando pessoas presas em elevadores e causando caos no trânsito e no transporte público. O apagão não causou problemas mais graves, entretanto, a os níveis de violência foram mais baixos que a média anual comum em Nova York, por exemplo.

A energia começou a voltar na mesma noite, mas só foi completamente restabelecida em Nova York 14 horas depois do início do apagão. Autoridades levaram seis dias para identificar as causas do blecaute, que foram apontadas como uma falha em uma estação no Canadá, que causou sobrecarga em toda a rede elétrica da região.

Passageiros esperam volta da energia em estação do metrô de Nova York durante o apagão de 2003. (Foto: AFP)
2003 - Cerca de 50 milhões de pessoas foram afetadas pelo apagão que atingiu o nordeste dos Estados Unidos e parte do Canadá, que é apontado pela imprensa norte-americana como o maior da história da região. As cidades de Nova York, Detroit, Cleveland e Toronto ficaram às escuras no dia 14 de agosto de 2003. A energia começou a voltar no mesmo dia em algumas regiões do Canadá, mas só foi totalmente restaurada no dia 16. Quatro dias depois do blecaute, algumas cidades mantinham esquemas especiais para transportes públicos com medo de novas quedas de energia.

Assim como no recente apagão do Brasil, demorou até que fossem determinadas as causas do blecaute. A primeira hipótese foi de que uma usina teria sido atingida por raios, depois uma usina nuclear foi responsabilizada, autoridades de EUA e Canadá jogavam a culpa de um lado para o outro. Um relatório conjunto entre os dois países foi finalizado em abril de 2004 apontando uma série de falhas em cascata, incluindo a falta de planejamento e preparo para lidar com crises, como responsável pelo apagão.

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Itália
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Um dos piores blecautes da história da Europa deixou quase toda a Itália e parte da Suíça sem energia elétrica por nove horas em setembro de 2003. Mais de 50 milhões de pessoas foram afetadas pelo apagão que teve início durante a madrugada, interrompendo uma grande festa de rua que era realizada em Roma. Até o Vaticano foi afetado pela falta de energia elétrica, mas passou a funcionar com o uso de geradores de emergência.


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Indonésia
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Quase metade da população da Indonésia, um total de 100 milhões de pessoas, foi afetada por um dos maiores blecautes da história. O fornecimento de energia foi interrompido durante a manhã em regiões de Bali e Jakarta, e só retornou à noite para 80% da população. O apagão na Indonésia foi causado por um problema na linha de transmissão no oeste de Java, e causou o interrompimento do fornecimento em várias outras áreas.

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Argentina
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Mesmo sem ter registrado nenhum apagão de proporções gigantescas quanto o da noite de terça-feira (10) no Brasil, vários pequenos blecautes têm ocorrido no país vizinho nos últimos anos, o que acontece, segundo o jornal local "Clarín" por falta de investimentos públicos no setor.

Em 2006, 228 mil usuários do sistema elétrico de Buenos Aires ficaram sem energia elétrica por quase 24 horas após um incêndio em uma subestação. No ano seguinte, um apagão na capital argentina atingiu nove bairros e 168 mil pessoas em março, e um outro de quase 24 horas, ocorreu dois meses depois. Ainda em 2007, 75% da população de Bariloche ficou 16 horas sem energia elétrica.

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Venezuela
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Praticamente metade da Venezuela, incluindo a capital, Caracas, ficou sem energia elétrica por pelo menos uma hora em abril de 2008 devido a uma falha no sistema nacional de distribuição. Pelo menos 13 estados foram afetados e a situação voltou lentamente ao normal. Uma pane no sistema de transmissão 800 produziu uma falha em cadeia. O problema afetou a linha de transmissão vinda da represa hidroelétrica de Guri (sudeste), a maior da Venezuela, que alimenta grande parte do país, e uma das três maiores do mundo.

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Colômbia
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Um grande apagão deixou sem eletricidade por mais de duas horas cerca de 70% da Colômbia em abril de 2007, incluindo a capital Bogotá e outras grandes cidades. Uma falha técnica em uma subestação de energia perto de Bogotá foi a causa do problema. Dezenas de pessoas ficaram presas em elevadores de Bogotá (7 milhões de habitantes), as estações do metrô tiveram que ser evacuadas em Medelín (2 milhões de habitantes), e os sinais de trânsito pararam de funcionar nas principais cidades, segundo o Corpo de Bombeiros.

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