2 de junho de 2009

Saiba por que a Coreia do Norte é motivo de preocupação

Potências são contrárias ao programa nuclear norte-coreano.
Ocidente teme que armas sejam usadas contra Coreia do Sul e Japão.

A Coreia do Norte voltou a ser motivo de preocupação internacional na segunda-feira (25), após ter anunciado um teste nuclear subterrâneo e testes de mísseis .

O lançamento provocou protestos da comunidade internacional e foi condenado pelo Conselho de Segurança da ONU, mas Pyongyang não cedeu às pressões e fez novos testes de mísseis de curto alcance nesta terça.

Na quarta, a Coreia do Norte ameaçou a Coreia do Sul com uma resposta militar após Seul ter aderido plenamente à iniciativa americana contra o tráfico de armas de destruição em massa, o chamado PSI. A imprensa sul-coreana também informou que Pyongyang retomou a produção de combustível nuclear nas instalações de Yongbyon . Na sexta, a Coreia do Norte fez novo teste de míssil .

O fechado país do imprevisível ditador Kim Jong-il lançou seu programa nuclear há mais de 20 anos e está há mais de 15 sob a pressão da comunidade internacional para que ele seja suspenso, provocando idas e voltas do governo de Pyongyang.

As potências acusam o governo norte-coreano de esconder informações sobre o programa nuclear e teme que, com o desenvolvimento de armas nucleares por Pyongyang, os rivais regionais -Coreia do Sul e Japão- sejam ameaçados.

As instalações de Yongbyon, a 96 km a norte de Pyongyang, onde é produzido o plutônio para a fabricação de armas atômicas, centram os esforços internacionais liderados pelos Estados Unidos para acabar com o programa.

Em abril passado, depois que o Conselho de Segurança da ONU censurou o lançamento de um foguete de longo alcance, o regime de Pyongyang afirmou que abandonaria as negociações para o fim do programa e reabriria Yongbyon.

Segundo especialistas, desde que seu reator de cinco megawatts começou a funcionar em 1987, a Coreia do Norte produziu plutônio suficiente para fabricar até 12 pequenas bombas atômicas.

No mesmo complexo, há outros dois reatores, que não parecem estar em funcionamento, e uma usina de processamento de plutônio.

Em 1994, as tentativas de retirar o combustível nuclear utilizado de Yongbyon provocaram a primeira crise entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos.

O Pentágono elaborou então um plano para bombardear estas instalações, mas a ação diplomática de um grupo de negociadores liderado pelo ex-presidente americano Jimmy Carter evitou um conflito e desembocou no fechamento do complexo durante oito anos.
Sob o Acordo Marco de 1994 entre Pyongyang e Washington, um consórcio internacional começou a construir dois reatores de água leve, que embora possam gerar eletricidade não podem produzir plutônio para a fabricação de armas.

Os Estados Unidos forneceram, além disso, cerca de 500 mil toneladas anuais de diesel, embora os envios tenham sido adiados.

Mas o acordo foi violado quando Washington acusou a Coreia do Norte de desenvolver em segredo um programa de urânio altamente enriquecido.

Pyongyang negou as acusações, mas voltou a colocar o complexo de Yongbyon em funcionamento, expulsou os inspetores nucleares das Nações Unidas e anunciou que abandonava o Tratado de Não-Proliferação Nuclear.

Em outubro de 2006, a Coreia do Norte realizou seu primeiro teste nuclear.

No entanto, seis meses mais tarde as duas Coreias, Estados Unidos, Japão, China e Rússia alcançaram um acordo prometendo ajuda energética e vantagens diplomáticas a Pyongyang em troca de sua total desnuclearização.

Em consequência, o complexo Yongbyon foi fechado em julho de 2007, e as autoridades norte-coreanas começaram a desmantelar suas principais instalações. Mas as negociações entre estes seis países foram congeladas em dezembro passado devido aos desacordos sobre os meios para comprovar as atividades nucleares declaradas pela Coreia do Norte.

Se as negociações forem retomadas, uma parte essencial da verificação consistiria em determinar a dimensão das reservas de plutônio norte-coreanas.

O Instituto de Ciência e Segurança Internacional, com sede em Washington, calculou esta reserva entre 46 e 64 kg.

Se considerado que, com entre 28 e 50 kg pode-se fabricar entre cinco e 12 bombas nucleares, afirmou o organismo em fevereiro de 2007.

Quando em junho de 2008 a Coreia do Norte entregou sua declaração nuclear afirmou dispor de uma reserva de plutônio de 31 kg.

Fome e subdesenvolvimento

O país do ditador Kim Jong-il vive sob um regime comunista fechado, com uma ideologia oficia, que prega a auto-suficiência. Mas, na prática, o governo assola parte da população com a fome, o terror e o subdesenvolvimento.

Mais de um terço das crianças norte-coreanas sofrem de grave desnutrição, advertiu recentemente o Programa Alimentar Mundial (PAM).

Desde 1995, o país é cenário de períodos de fome que provavelmente causaram a morte de centenas de milhares de pessoas.

A fome se explica pelas numerosas catástrofes climáticas que afetam o país, como inundações ou secas. Mas também, segundo os analistas, devido a uma agricultura coletivista e a uma precária rede de distribuição alimentar.

Em relação aos direitos humanos, o cômputo é ainda considerado mais terrível.

"O regime segue cometendo numerosas e graves violações" dos direitos humanos, considerou o Departamento de Estado em seu relatório anual divulgado no final de 2007.

Entre essas violações, os Estados Unidos já denunciaram as execuções extrajudiciais, desaparecimentos e prisões arbitrárias, tortura, abortos e infanticídios forçados na prisão, a ausência de liberdade de expressão e de religião e as tentativas do governo de controlar a informação.

Símbolo da guerra fria entre os Estados Unidos e a União Soviética, a península coreana foi dividida em duas partes pelo paralelo 38.

A Coreia do Sul e a Coreia do Norte proclamaram sua independência em 1948, antes de se enfrentarem militarmente entre 1950 e 1953, deixando cerca de 3 milhões de mortos em ambos os lados.

A Coreia do Norte foi dirigida com mão-de-ferro por seu fundador Kim Il-Sung até 1994, tendo como sucessor o filho dele, Kim Jong-Il.

O país dedicou a Kim Il-Sung um culto à personalidade próximo da idolatria. No final dos anos 1980, cerca de 34 mil monumentos foram erguidos em sua homenagem.

Depois de sua morte em 1994, continua sendo oficialmente "presidente eterno".

Em 2002, o regime comunista introduziu uma leve dose de economia de mercado, autorizando certa flexibilidade nos preços.

Nos últimos meses, o estado de saúde de Kim Jong-il vem sendo alvo de especulações. O regime rebate divugando fotos de suas aparições públicas, muitas vezes sem especificar a data da realização das imagens.














































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