2 de junho de 2009

Entenda as principais questões sobre o desaparecimento do avião da Air France

Maior dúvida envolve sequência de eventos que teriam causado desastre.
Técnicos consideram improvável que raio, sozinho, tenha derrubado avião.


O mistério que envolve o voo da Air France que desapareceu após decolar do Rio de Janeiro no último domingo (31) continua, enquanto autoridades prosseguem com as buscas em alto mar. O avião sumiu dos radares depois de sofrer uma pane após atravessar uma área de turbulência. Havia 228 pessoas a bordo. Objetos localizados no Atlântico podem ser destroços da aeronave, mas ainda não é possível confirmar esse dado, diz a Aeronáutica. Confira a seguir as principais perguntas e respostas -- muitas ainda provisórias e especulativas -- sobre o caso.

A tripulação do avião soube da tempestade no Atlântico?

Muito provavelmente sim. O risco de turbulência forte na região a partir da qual veio o último contato da aeronave da Air France é bem conhecido e quase constante ao longo de todo o ano. Além disso, as aeronaves contam com informações atualizadas sobre as condições climáticas no seu caminho. Nos últimos meses, aviões que fazem a rota Brasil-Europa já haviam experimentado um aumento da turbulência na região, segundo relatos de pilotos.

A região tem acidentes frequentes?

Apesar da presença de turbulências, não há um índice elevado de acidentes aéreos ali. Além disso, apenas 12% dos acidentes aéreos fatais acontecem em pleno voo, longe da decolagem e da aterrissagem, de acordo com dados da Boeing.

O avião seguiu o plano de voo?

Todas as informações disponíveis indicam que sim.

A tripulação tinha liberdade para modificar o trajeto da aeronave de maneira a escapar da tempestade?

Sim. De acordo com o comandante Ronaldo Jenkins, diretor técnico do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias, as rotas aéreas internacionais são definidas por meio de acordos entre os países cujo espaço aéreo é atravessado pelas aeronaves. Do lado do Brasil, essas negociações são conduzidas pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo, órgão da Aeronáutica. No entanto, numa emergência, a flexibilidade é grande.

"O piloto, em situação de emergência, pode se afastar tanto do eixo horizontal quanto do vertical da sua rota [ou seja, virando o avião, subindo ou descendo]. Após isso, ele deve comunicar imediatamente o controle aéreo. Se não for uma emergência, ele primeiro comunica o controle, que então verifica os níveis vagos na estrutura da aerovia na qual o avião está [a "estrada" imaginária que as aeronaves seguem] e dá a permissão", diz Jenkins.


Quais são as chances de um raio, sozinho, ter causado a queda do avião?

Muito baixas, de acordo com a maioria dos especialistas de aviação e segurança de voo. Os aviões possuem uma "capa" externa especialmente projetada para conduzir eletricidade de forma eficiente, fazendo com que, na prática, um raio "entre" por uma ponta do avião e "saia" pela outra sem causar danos.

Além disso, os aviões são atingidos por descargas elétricas de forma rotineira. Em entrevista à revista "Scientific American", o engenheiro Edward J. Rupke, da empresa Lightning Technologies (EUA), afirmou que cada avião comercial americano é atingido, em média, uma vez por ano por relâmpagos. No país, o último acidente atribuído diretamente a descargas elétricas foi em 1967. Na época, o raio causou a explosão do tanque de combustível de uma aeronave.

Por que a tripulação não pediu ajuda? Se pediu, o que a impediu de conseguir socorro?

Se a falha no sistema elétrico do avião foi mesmo catastrófica, a julgar pela mensagem automática transmitida para a Air France às 23h14 do dia 31, o mais provável é que os meios usuais de comunicação com o controle aéreo não estivessem mais disponíveis para a tripulação.

O que ocorreu primeiro, a pane elétrica ou a despressurização?

É impossível determinar isso com os dados disponíveis agora. Sem os sistemas elétricos, o avião passaria por uma súbita despressurização; por outro lado, a perda de pressão na cabine poderia, em tese, ocorrer sem que os demais sistemas da aeronave fossem danificados.

Como uma aeronave com tantos sistemas de segurança pode desaparecer?

Para o comandante Jenkins e outros especialistas em segurança de voo, dificilmente uma única causa -- raios, a força da turbulência ou outro problema ao longo da rota -- será responsável pelo desaparecimento de uma aeronave. Uma sucessão de eventos e problemas provavelmente concorreu para o que houve com o voo da Air France. Uma das hipóteses é que a forte turbulência tenha interagido com alguma falha estrutural no avião, levando à perda de sua capacidade de voar.

Existe algum prazo limite para as buscas?

Esse prazo ainda não foi definido. No entanto, de acordo com a Aeronáutica, 40 dias é o período considerado viável para a procura de sobreviventes, levando em conta a capacidade de sobrevivência de seres humanos no mar.
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