4 de janeiro de 2010

Cientistas tentam criar avião à prova de explosão

No combate ao terrorismo, a tecnologia tem sido uma forte aliada. No desenvolvimento de novas armas e até na construção de um avião à prova de explosões.

Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, o mundo não imaginava que o terrorismo chegasse bem perto de explodir aviões em pleno voo.

As medidas de segurança tomadas nos aeroportos nos últimos anos não foram capazes de deter o nigeriano Umár Farúq Abdul-Mutálab. No dia 25 de dezembro de 2009, em pleno Natal, ele conseguiu embarcar em um voo da Europa para os Estados Unidos com material explosivo escondido na cueca. A explosão não deu certo. Passageiros e tripulantes conseguiram conter o terrorista.

Falhas na segurança dos aeroportos levaram ao desenvolvimento da última barreira contra o terror a bordo. Uma defesa de altíssima tecnologia: aviões à prova de explosão.

Os Estados Unidos estão pesquisando materiais capazes de conter os efeitos de explosões dentro das aeronaves. A primeira linha de pesquisas é a da segurança no compartimento de carga. Uma espécie de tecido feito de fibra sintética embrulha o contêiner que guarda a carga. Esse tecido consegue absorver a explosão e impede que a estrutura da aeronave seja atingida.

Mas o grande desafio dos pesquisadores americanos é desenvolver um material que proteja o avião de explosões detonadas por um passageiro. A ideia é evitar que buracos sejam abertos na fuselagem depois da explosão. Assim, os pilotos podem pousar o avião e evitar uma tragédia ainda maior. O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos não permite divulgar a composição do material nem o tipo e a quantidade de explosivos empregados nestes testes.

A primeira experiência é com uma placa menos resistente, que não suporta a explosão. É claro que, nesta era de atentados, ela não será usada na construção de aviões.

Depois, os técnicos testam um outro tipo de placa. Um especialista acompanha pelo computador a explosão. Ele diz que a deformação do material foi bem pequena, longe de representar perigo de ruptura e, portanto, de expansão da explosão. O teste é um sucesso.

Outra linha de pesquisas busca a proteção de uma aeronave atacada por foguetes disparados por lançadores portáteis. Os lançadores são pequenos, mas nem por isso menos perigosos. São precisos e mortais.

Essas armas estão disponíveis no mercado clandestino do terror. Um vídeo gravado por terroristas no Iraque mostra um ataque a um avião de carga nos céus de Bagdá. Os pilotos conseguiram pousar. Parte do avião pegou fogo, mas ele não explodiu.

Uma animação mostra uma tecnologia já usada em aviões militares. Sensores na barriga da aeronave detectam o calor do foguete e disparam um raio laser. O raio desvia o foguete. Os foguetes têm curto alcance e por isso só podem ser usados quando o avião pousa ou decola.

Assim, umas das ideias do governo americano é usar aviões controlados à distância, sem tripulantes, na patrulha do espaço aéreo dos aeroportos. Outras pesquisas tentam aperfeiçoar o sistema, para que ele seja viável na aviação comercial.

Os aviões civis ainda não usam esse sistema por causa do custo da tecnologia, do peso do equipamento e do aumento do consumo de combustível, que é maior quando a aeronave carrega o aparelho. Existem ainda problemas tecnológicos.

Um teste feito com um avião especial avalia se o sistema de laser que desvia os foguetes funciona a uma altitude de 15 mil metros. Essa é a altitude usada pelos mais modernos aviões de passageiros e também pelos militares. O teste mostra que, nessa altitude, o laser detecta os foguetes, mas não consegue desviar o perigo. Essa tecnologia, portanto, ainda não está pronta. Essas são pesquisas para a defesa de última hora.

Estudos estão sendo feitos também para detectar a intenção terrorista ainda no aeroporto, antes do embarque. Você conheceu uma delas aqui no Fantástico: a tecnologia de leitura da frequência cardíaca e do ritmo da respiração de um passageiro sem encostar nele. Raios que não fazem mal ao organismo são capazes de ler esses sinais a partir da artéria carótida. Se os sinais forem de nervosismo, o passageiro poderá ser interrogado pelos agentes de segurança e até mesmo perder o voo.

Se essa tecnologia já estivesse sendo usada nos grandes aeroportos do mundo, haveria menos chance de o terrorista do Natal conseguir embarcar.
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